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Planejamento tributário 2027: o que sua empresa precisa revisar antes da virada do ano

A chegada de 2027 marca uma nova etapa da Reforma Tributária. Entenda quais decisões precisam ser tomadas ainda em 2026 para evitar prejuízos e preparar sua empresa para as mudanças.

O ano de 2027 promete ser um dos mais importantes para o planejamento tributário das empresas brasileiras. Com o avanço da Reforma Tributária, mudanças na cobrança de impostos, no aproveitamento de créditos e nas obrigações fiscais exigirão atenção redobrada dos empresários.

Mas a preparação não deve começar apenas quando as novas regras entrarem em vigor. As decisões tomadas nos últimos meses de 2026 podem influenciar diretamente os custos, os preços e a rentabilidade dos negócios no próximo ano.

Por isso, revisar a estratégia tributária deixou de ser apenas uma tarefa contábil e passou a ser uma necessidade para quem deseja manter a competitividade e crescer com segurança.

O que muda na tributação das empresas em 2027?

A Reforma Tributária, instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, estabelece uma transformação gradual no sistema de tributação sobre o consumo.

Em 2026, as empresas passam pela fase de testes da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Já em 2027, começam mudanças mais significativas:

  • Extinção do PIS e da Cofins: essas contribuições serão substituídas pela CBS.
  • Início da cobrança efetiva da CBS: as empresas deverão considerar as novas regras de tributação e creditamento.
  • Cobrança inicial do IBS: o imposto terá alíquota de transição de 0,1% em 2027 e 2028.
  • Entrada em vigor do Imposto Seletivo: destinado a determinados bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
  • Mudanças no IPI: as alíquotas serão reduzidas a zero, com exceções previstas para produtos relacionados à Zona Franca de Manaus.

O ICMS e o ISS continuarão sendo cobrados durante essa etapa, com sua substituição gradual pelo IBS prevista para os anos seguintes.

Diante desse cenário, o planejamento tributário precisa considerar tanto as regras que estão terminando quanto aquelas que começarão a produzir efeitos.

1. Reavalie o regime tributário da sua empresa

O primeiro passo é analisar se o enquadramento tributário continua adequado à realidade do negócio.

Empresas do Lucro Real, Lucro Presumido e Simples Nacional podem apresentar impactos diferentes com a implementação da CBS.

No caso das empresas optantes pelo Simples Nacional, uma das decisões envolve a possibilidade de apurar o IBS e a CBS pelo regime regular, separadamente do recolhimento dos demais tributos pelo Simples.

Essa escolha precisa considerar o perfil dos clientes, a composição dos custos, o aproveitamento de créditos e os impactos sobre os preços.

O regime mais vantajoso atualmente não será necessariamente a melhor alternativa diante das novas regras. Por isso, simulações tributárias são fundamentais.

2. Revise preços, custos e margens de lucro

Uma das maiores preocupações dos empresários deve ser o impacto da nova tributação sobre a formação dos preços.

Com a substituição do PIS e da Cofins pela CBS, a carga tributária efetiva poderá variar conforme o setor, as operações realizadas e os créditos disponíveis.

Isso significa que manter os mesmos preços sem uma análise prévia pode comprometer a rentabilidade.

É importante revisar a estrutura de custos, identificar despesas que podem gerar créditos e projetar diferentes cenários de tributação.

Mais do que entender quanto imposto será pago, a empresa precisa saber quanto efetivamente sobrará de cada venda após as mudanças.

3. Analise os créditos tributários e os estoques

O aproveitamento de créditos será um ponto estratégico da transição.

A nova sistemática da CBS prevê um modelo de não cumulatividade mais amplo, mas o direito ao crédito depende do atendimento às condições estabelecidas na legislação.

Além disso, os saldos credores de PIS e Cofins existentes na transição poderão continuar sendo utilizados, observadas as regras legais.

Outro cuidado envolve os estoques existentes em 1º de janeiro de 2027. A legislação prevê hipóteses específicas de crédito presumido da CBS sobre determinados bens em estoque.

Por isso, realizar um inventário adequado, organizar documentos de aquisição e revisar os saldos tributários ainda em 2026 pode fazer diferença no planejamento financeiro.

4. Revise contratos com clientes e fornecedores

Contratos firmados antes da Reforma Tributária podem continuar produzindo efeitos quando a nova tributação entrar em vigor.

Por essa razão, é importante avaliar cláusulas relacionadas a preços, reajustes, responsabilidades tributárias e condições comerciais.

Empresas que trabalham com contratos de longa duração precisam de atenção especial, pois alterações na tributação podem modificar os custos inicialmente considerados na negociação.

A revisão antecipada contribui para reduzir riscos de conflitos comerciais e preservar o equilíbrio econômico dos contratos.

5. Prepare os sistemas de gestão e emissão de notas fiscais

A adaptação tecnológica também deve fazer parte do planejamento.

Com os novos tributos, os documentos fiscais eletrônicos passam a exigir informações específicas relacionadas ao IBS e à CBS, conforme os leiautes e cronogramas aplicáveis.

As empresas precisam verificar se seus sistemas estão preparados para:

  • Classificar corretamente produtos, serviços e operações;
  • Aplicar os tratamentos tributários correspondentes;
  • Emitir documentos fiscais com os novos campos obrigatórios;
  • Registrar e controlar créditos tributários;
  • Integrar informações fiscais, contábeis e financeiras.

A falta de preparação pode resultar em erros operacionais, rejeições de documentos fiscais e dificuldades no cumprimento das obrigações.

6. Planeje o fluxo de caixa para a nova realidade

O planejamento tributário também deve estar conectado à gestão financeira.

A mudança na forma de apuração dos tributos e o novo modelo de creditamento poderão alterar a dinâmica financeira das operações.

Outro mecanismo previsto pela Reforma é o split payment, que permitirá a segregação de valores tributários no processo de pagamento, conforme as regras e o cronograma de implementação.

Diante dessas mudanças, é importante projetar entradas e saídas de recursos, revisar necessidades de capital de giro e acompanhar os efeitos da tributação sobre os recebimentos.

Uma empresa pode apresentar bons resultados comerciais e, ainda assim, enfrentar dificuldades financeiras por falta de planejamento.

7. Atenção aos prazos do Simples Nacional

Para microempresas e empresas de pequeno porte, algumas decisões relacionadas a 2027 já possuem prazos definidos em 2026.

O período para solicitar ingresso ou retorno ao Simples Nacional em 2027 foi encerrado em 15 de outubro de 2026.

Entretanto, 30 de outubro de 2026 é o prazo final para regularizar pendências impeditivas de solicitações realizadas dentro do período permitido.

Essa também é a data-limite para as empresas optantes pelo Simples Nacional escolherem a apuração do IBS e da CBS pelo regime regular no primeiro semestre de 2027.

Essas decisões exigem uma avaliação individualizada, considerando as características e as operações de cada negócio.

Como preparar sua empresa antes de 2027?

Para uma transição mais segura, algumas medidas devem fazer parte do planejamento:

  • Revisar o regime tributário e realizar simulações;
  • Avaliar os impactos da CBS sobre preços e margens;
  • Conferir créditos tributários, estoques e documentos fiscais;
  • Revisar contratos comerciais e condições de pagamento;
  • Atualizar sistemas e cadastros fiscais;
  • Projetar o fluxo de caixa e as necessidades de capital de giro;
  • Capacitar as equipes responsáveis pelas rotinas fiscais e financeiras.

Essas ações ajudam a identificar riscos, aproveitar oportunidades legais e tomar decisões com maior previsibilidade.

Planejar agora é proteger os resultados de amanhã

A chegada de 2027 não representa apenas uma mudança nas regras de recolhimento dos impostos. Trata-se de uma transformação que impactará a gestão das empresas, desde a contratação de fornecedores até a formação dos preços e o controle financeiro.

Quem iniciar essa preparação com antecedência terá melhores condições de enfrentar os desafios da transição, reduzir riscos e identificar oportunidades de eficiência tributária.

Na Secran Group, acreditamos que informação, planejamento e estratégia são fundamentais para transformar mudanças em oportunidades.

Com soluções especializadas em contabilidade, gestão empresarial e consultoria tributária, apoiamos empresas na análise dos impactos da Reforma Tributária e na preparação para os próximos desafios.

Sua empresa já sabe como a Reforma Tributária vai impactar seus resultados em 2027? Entre em contato com nossos especialistas e comece a planejar o futuro do seu negócio.